Inocência coletiva: campanha “nãoCOVIDninguém” conscientiza sobre atitudes da população durante a pandemia

Desde quando um churrasco é proibido no Brasil? Esse meu país tropical, abençoado por Deus. Desde quando para nós brasileiros é proibido um aperto de mão, um abraço caloroso? Encontrar-se com os amigos no bar e ver o jogo do mengão? Desde quando?

 

 

Só que o churrasco na casa dos amigos parece inofensivo. Um pequeno aglomero. No entanto, são nos pequenos vacilos que, agora, os hospitais estão lotados, a economia voltou a parar e o número de casos de coronavírus crescer, de forma exponencial. Hoje, vivemos uma situação difícil na cidade de Tubarão. Existem diversos porquês para estarmos diante desta que é a pior fase da pandemia – e seu comportamento está entre eles. Enquanto cidadão, quais foram as medidas que você realmente realizou? Invisível, silenciosa e (in)esperada, a covid-19 está por trás das atitudes que cada um de nós tomamos. O vírus não precisa de convite. Ele aplaude a quarentena branda, que acredita não fazer mal a ninguém. Afinal, é só uma saidinha ali, outra aqui.

 

 

Ao se deparar com o cenário trágico na saúde e economia, a Sociedade dos Criativos se incomodou. Não por estar em home office, mas por sentir que poderiam usar a criatividade como uma forma de combate à pandemia. Formada por publicitários tubaronenses, o grupo lançou a campanha “nãoCOVIDninguém”, que visa estigmatizar os pequenos erros cometidos pelas pessoas, ainda que não intencionais. Para melhor entender, estigmatizar é o ato de marcar negativamente algo ou alguém. “Personificamos o coronavírus, tornamos ele um personagem de cartoon, já que quando surge uma oportunidade, uma aglomeração, ele está ali, só que invisível, conta o publicitário Philippe Costa Alexandrino, da UP Marcas.

 

 

Phil foi quem ilustrou o personagem e o descreve como alguém enigmático, que usa uma roupa de detetive. Com um chapéu e sobretudo preto, ele é o protagonista que fala de forma irônica e sarcástica com o público, apontando os “micro-vacilos”. Ao todo foram três dias para colocar a campanha no ar. “As pessoas foram somando naturalmente. É a união da capacidade das pessoas e das entidades que tornou isso possível e, também, que vai dar a proporção de onde ela pode chegar”, revela o publicitário e diretor de arte da iniciativa, Arthur Jung, da Base 48. Assim, o objetivo principal é frear a pandemia para além da quarentena, através de um apelo para acabar com os pequenos deslizes, considerando que a atitude de cada um hoje é o que determinará o futuro de todos amanhã. O perfil oficial da campanha no Instagram é @nao.covid.

 

 

Entre palavras, ironia e conscientização

 


A linguagem utilizada na campanha nãoCOVIDninguém é jovem, coloquial. O tom de voz é repleto de ironia e sarcasmo. Frases como “Nunca vi tanta gente inteligente assim, reunida”, “esse grupo merece uma festinha”, “ouvi presencial?” dão vida ao personagem Covid, em stikers – as figurinhas do WhatsApp – e legendas nas redes sociais. O idealizador da parte de redação é Erick Ávila. Para ele, já passou da hora dos avisos amigáveis. “As pessoas precisam encarar os pequenos deslizes que estão cometendo durante a quarentena. Normalmente é um convite inocente”, enfatiza. Outro detalhe fundamental, é que atualmente, principalmente como o distanciamento social, todos utilizam um aplicativo ou uma ferramenta de texto para se comunicar, um meio que abre espaço para debater assuntos importantes, como o da pandemia.

 

 

E a juventude é quem mais utiliza os smartphones. É através dela que se pode chegar até o público mais maduro, enquadrados no grupo de risco e que, geralmente, estão convivendo com os mais jovens. Ao fazer isso, Erick revela que a mensagem é ressoada na casa de cada tubaronense, de cada catarinense, de cada brasileiro. “É de extrema importância que as postagens cheguem no máximo de pessoas possível. Sim, há textos que são difíceis de ‘digerir’ para pessoa que está lendo e se sente culpada, mas é uma forma de elucidar e conscientizar para não voltar a cometer esses erros novamente”, finaliza o redator.

 

 

Veja um exemplo dos textos criado por Erick Ávila, a partir da imagem no anexo desta matéria:

 

Ideia bacana para a quarentena, hein? Afinal, quem provavelmente está no grupo de risco é a sua mãe e não você. O CORONAVÍRUS é um infiltrado que não pode ser barrado. Um encontro inocente, isso é só o que ele precisa para contaminar todo o ambiente, principalmente as pessoas.

 


NÃO FACILITE! Enquanto você abre sua casa para receber convidados, portas de negócios fecham e UTIs estão sobrecarregadas.

 


#coronavirus #COVID19 #familia

 

 

O vilão “Covid” ganha vida

 


Ainda no início da reportagem, o diretor de arte Arthur Jumg bem colocou que a campanha “nãoCOVIDninguém” é a união de diversas capacidades profissionais. Ao ver a iniciativa, o publicitário João Pedro Andrejczuk, da Mude, logo pensou em levar toda as peças gráficas e a própria redação para o audiovisual. O personagem cartoon Covid vai realmente “falar” com o público nas redes sociais, a partir de uma animação em 3D – um desenho animado – e, assim, ganhará vida. “Estamos nesse processo”, afirma. E se a produção de novelas e cinema estão estagnados, é de casa mesmo que atrizes e atores vão ensaiar e gravar esquetes sobre a campanha, com a Ludicoz, produtora de Arte e Entretenimento.

 

 

João, em conjunto com a atriz Cecília Coelho, criaram roteiros com base nos tais comportamentos inofensivos. Serão cinco vídeos. “A idea é que eles representem uma situação normal e que surgem os convites despretenciosos”, descreve Ciça, como é apelidada. Mas nem tudo é fácil. O ramo artístico é um dos principais afetados pela crise econômica provada pela pandemia, por isso o teatro e cinema, que a atriz estava acostumada a produzir e ensair, foram moldados para as plataformas digitais. Uma forma que mostra como é possível se reinventar, mesmo em tempos tão difícies.

 

 

A criação da campanha teve a contribuição voluntária das empresas de comunicação Base 48, Up Marcas, Mude, Ludicoz, além de outros profissionais da área de comunicação. A ação é uma iniciativa da ACIT (Associação Empresarial de Tubarão), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Tubarão, AMPE (Associação das Micro e Pequenas Empresas), Sindicatos Patronais de Metalurgia (SINDIMET), Madeireiros (SINDIMAD), Construção Civil (SINDUSCON), Contabilistas (SINDICONT), do Comércio (SINDILOJAS), Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes, Transportadores (SETRAM), AJET (Associação de Jovens Empreendedores de Tubarão) e Grande Loja.